Publicado em Reflexões

Liberdade é não ter medo

Eu sonho com um dia em que eu não precisarei temer. Nem por mim, nem por minha filha, nem por minhas sobrinhas, nem por minhas irmãs e nem por mulher alguma.

Um dia em que possamos nos expressar e sermos ouvidas. Um dia em que teremos o direito de ir e vir aonde quisermos, sem medo.

Um dia em que não seremos culpabilizadas pelo mal que o outro nos faz. Um dia em que sejamos vistas como iguais e que sejamos respeitadas, não por ser mulher, mas por ser humana.

Um dia em que eu não tenha que pensar na roupa que vou usar, que eu não tenha que desviar da rua que devo passar, que eu não tenha que pensar antes de falar, antes de me sentar, antes de sorrir… porque tudo isso (ou só isso) pode me colocar em risco.

Um dia em que homens e mulheres não me julguem por estar sem maquiagem, sem a unha feita e sem salto alto, simplesmente porque eu quero.

Um dia em que o meu trabalho, o meu talento e os meus esforços sejam vistos, reconhecidos e recompensados, com justiça.

Um dia em que os seres humanos se respeitem mutuamente, em que ser mulher não seja perigoso e que seremos livres, de fato. Porque liberdade é não ter medo.

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Sobre a partida de um grande amor

No início é dor, somente e absurdamente, dor. Ela dói na alma, no corpo e na mente, te tira a razão, o chão, a vontade, e é insistente!

Depois é saudade, e ela ainda dói, dói muito, mas agora é preciso seguir, pensar e agir, traçar estratégias para conviver com essas companhias, eternamente…

A saudade já pode ser chamada de lembrança. Ela agora dói menos, arranca lágrimas mas não tira o ânimo. Os momentos bons, as risadas e as dores, outrora compartilhadas, aquecem o coração da gente.

Às vezes essa saudade bate forte, e derruba. Mas, é preciso ir em frente. E aí, tem que levantar e tentar novamente!

Então a vida nos traz presentes, eles tiram o foco da dor e da saudade que, embora mais brandas, ainda visitam a mente.

Os presentes da vida nos fazem mais fortes e transformam os sentimentos. As lembranças se tornam leves, cheias de gratidão e nos ajudam a viver alegremente.

É quando a gente se pega lembrando, as lágrimas caem e se misturam a sorrisos é saudade ainda, mas sem sofrimento. E assim vamos vivendo, na esperança de um dia, quem sabe, nos vermos novamente.

Janaina Pereira – 27/12/2017

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Cansaço de mãe

Muito se fala sobre as mães e seu amor incondicional, mas muito pouco se reconhece disso. Recentemente presenciei a cena de uma mãe, visivelmente cansada, já com certa idade… Ela interfonou do térreo e pediu ao filho para vir buscar as sacolas de compras, eram “apenas” três.

Ela subiu as escadas externas devagar, chegou à portaria, me cumprimentou e ficou encostada à espera da “ajuda”. Nesse momento eu aguardava a chegada de uma visita e fiquei divagando em meus pensamentos, olhando para a senhora e imaginando o quanto ela devia ter trabalhado aquele dia, pois o ar de cansaço estava nítido em seu rosto.

O filho, que aparenta ter uns 20 anos, desce correndo as escadas (talvez estivesse fazendo algo muito importante para ele, como assistir uma série ou jogar vídeo game). Quando vê as sacolas, diz com ironia: “ela me faz descer 4 andares para pegar 3 sacolas!” A frase soou como um despertador chegou a incomodar, como quando você está dormindo pesado e o alarme toca.

A mãe, então, me olha em um misto de vergonha, cumplicidade, busca de apoio, ou não, pois o costume à ingratidão já se instalou. E eu perguntei: a senhora é mãe dele? Ao som da indagação, o “garoto” para para ouvir a conversa. A mulher disse: “sim, sou”. E eu só pude dizer, com um sorriso não menos irônico que a frase do rapaz: mesmo que ele carregue as suas sacolas todos os dias, daqui pra frente, ainda vai ficar te devendo!

O rapaz, meio encabulado, respondeu: “É verdade, verdade…” Ela me olhou surpresa, e nós nos entendemos como mães, que somos capazes de amar incondicionalmente, que deixamos de dormir, comer, descansar e tantas outras coisas em prol dos filhos. Ela, emocionada, só conseguiu dizer: “OBRIGADA”.

Não sei se deveria, mas eu disse. Depois fiquei pensando que nada é por acaso e que o “menino” precisava ouvir aquelas palavras e que a senhora, precisava dizê-las, mas o seu amor de mãe não permitiu, pois não queria magoar o filho.

Eu fui a sua voz que fez o garoto refletir, mesmo que por um instante. Estou certa de que todas as vezes que ela pedir um favor, ele vai se lembrar de que, por mais que faça, ainda estará em dívida. Quanto às mães, mesmo àquelas que não cumpriram com tanto afinco a função materna devemos gratidão, pois sem elas nem mesmo existiríamos.

Janaina Pereira

Out./2017